Mais de Um Minuto Para Síria

É estranho notar o que o mundo vem se tornando. É mais ainda complicado você fechar os olhos para o que está acontecendo lá fora, em outros países. É complicado você não observar o que está acontecendo no seu próprio país, no seu próprio estado, na sua própria cidade. É triste como o ser humano tem a capacidade de simplesmente desviar o olhar, de esquecer a dor das pessoas que simplesmente não estão em condições de fazer tal ato. Ou sequer tem essa escolha.
A notícia de mais um atentado na Síria chegou hoje, dia primeiro de março. Eu só consigo lembrar das pessoas postarem "que março venha com tudo" ou "que março seja melhor que fevereiro". E não vejo ninguém postar um apoio as famílias sírias que sofrem, muitas vezes, em silêncio. Ou cujo grito não é ouvido aqui, do outro lado do mundo.
Mais de 600 pessoas morreram em poucas semanas na Síria. Um número surpreende e que apenas tende a crescer já que nem acordo de trégua é respeitado. Me surpreendo novamente com a facilidade humana em matar. 
Eu lembro de ter visto um documentário chamado 74 animais mais perigosos da América Latina, documentário este que tem um irmão gêmeo para o mundo. Vi cobras, lagartos, aranhas, tubarões e até animais que nunca sequer eu pensara serem responsáveis por tantas mortes. Mas um animal ficou de fora. Um animal que, apenas por ter a capacidade de "raciocinar", esquece que ainda continua sendo um animal. O mosquito, conhecido como o animal que mais mata no mundo, só em 2015, vitimou mais de 438 mil pessoas apenas com o vírus da Malária. 
Em contrapartida, só durante o holocausto (1933 - 1945), em média 6 milhões de judeus foram exterminados pelos nazistas. Isso se descontarmos as mortes de não-judeus que eram perseguidos, soldados e civis. A Segunda Guerra Mundial provocou, em média, a morte de 47 milhões de pessoas, isso apenas durante as guerras. Durante a guerra, foram jogadas sobre países desenvolvidos cerca de 3,5 milhões de toneladas de bombas, o que acabou por matar muitos civis. Hitler, nos últimos meses de conflito, formou exércitos com crianças e adolescentes. E ainda me dizem que o mosquito é o animal que mais mata no mundo.
O que vem acontecendo na Síria, infelizmente, não é tão diferente do que acontecia antes da Segunda Guerra Mundial estourar. Cabe ao ser humano avaliar o que, de fato, significa ser "humano". O dom de raciocinar nos foi dado por algum motivo e, creio eu que não foi para desenvolver armas e bombas ou até mesmo iniciar guerras. Talvez se o conhecimento e capacidade de raciocinar humana estivesse sendo usada para melhorar as tecnologias de saúde, talvez o mosquito não fosse o animal que mais matasse no mundo.

Para encerrar, eu sei que as palavras acima podem ter dado a dica que estamos encerramos, eu queria deixar claro mais uma coisa. Quer dizer, gostaria de fazer uma analogia com duas músicas tecnicamente antigas, mas que não deixam de ser verdadeiras para a atuação situação na Síria e em muitos outros lugares do mundo.
Acredito que todos devem se lembrar da música We Are The World, do saudoso Michael Jackson e cia. Ela fala sobre a necessidade de agirmos como um, sobre a necessidade de abrirmos nossos olhos, abrirmos nossos braços e agirmos a fim de combater a fome na África, convindo as pessoas e as nações ao redor do mundo a doar, não só dinheiro como também sua ajuda. 

There comes a time when we hear a certain call
When the world must come together as one
There are people dying

Essa parte da letra é o que me causa a semelhança com a situação hoje. A música não deixa claro que é sobre a fome ou se é para ajudar as pessoas na África. Em nenhum trecho nós vemos essas palavras. Esse trecho, por si só já dá um breve puxão de orelha em nós mesmo. A tradução para o português é algo simples e que se você chega a ler, você sente como se sua mãe brigasse com você depois de ter cometido um erro.

Chega o momento em que ouvimos um certo chamado
Quando o mundo deve se unir como um
Há pessoas morrendo

A gente sabe que essa música falava sobre combater a fome na África porque ela foi feita no período para isso. Mas como eu disse, nela não há nenhuma palavra explicitando isso. Agora concordemos que isso não lhe joga um balde de água fria quando você para para pensar na Síria.

We can't go on pretending day by day
That someone, somewhere will soon make a change
We are all part of God's great big family
And the truth, you know, love is all we need

Este é outro trecho que merece uma atenção especial. Se você, meu caro leitor, que não é tão bom no inglês, eu trago-lhe a tradução:

Nós não podemos continuar fingindo todos os dias
Que alguém, em algum lugar, em breve fará uma mudança
Somos todos parte da maravilhosa grande família de Deus
E a verdade, você sabe, amor é tudo que nós precisamos 

O que dizer? É um gancho para você levantar a bunda da cadeira e agir. É como todas as outras coisas do mundo, você não vai conseguir se esperar sentado enquanto sonha que elas cairão sobre seu colo. Não podemos dizer: Ah, mas os Estados Unidos vão agir. Ah, mas a Rússia vai agir. Ah, mas eu moro no Brasil, não posso fazer nada. E é aí que você se engana. Eu também pensei que não poderia fazer nada. Eu pensei que poderia me manter calada, mas vejam só, eu cansei disso. Sei que não posso fazer muito com relação a cessar a guerra em si. Mas sei que posso ajudar vocês a se conscientizarem e, se Deus me permitir, alguém que realmente possa acabar com essa guerra, se conscientizar. Outro pedaço desse trecho fala sobre Deus. Eu sou católica. Acredito que haja um Deus e acredito que ele exista e cuide de nós. Muitos podem não acreditar ou ter fé em outras divindades. Mas o que sabemos é que todos somos humanos. E sei que muitos dizem que o amor e o ódio andam de mãos dadas, também acredito nisso, afinal não somos perfeitos, temos defeitos. Mas talvez um pouco mais de amor que de ódio possa mudar as coisas um pouco. No fim, o refrão é a parte que mais atrai a nossa atenção.

We are the world, we are the children
We are the ones who make a brighter day
So let's start giving
There's a choice were making
Were saving our own lives
It's true we'll make a better day
Just you and me

Nós somos o mundo, nós somos as crianças
Nós somos aqueles que deixam o dia mais brilhante
Então, vamos começar a doar
Há uma escolha que estamos fazendo
Estamos salvando nossas próprias vidas
É verdade, nós faremos um dia melhor
Só você e eu


O que dizer sobre o refrão? Nós! Sim, nós! As coisas não caem do céu. Mesmo que haja um Deus, nós ainda somos nossos próprios agentes do destino. Nós fazemos a diferença. Nós provocamos guerras. Se você olhar, nós somos as crianças que, de algum modo, se espelham nos adultos. E nós temos que fazer algo para que nossas crianças não sejam como nós. Que eles não vivam em um mundo como o nosso. E então que eu lhe pergunto, caro leitor... Lembra daquelas imagens que saíram há alguns anos? Aquelas do garotinho sírio sujo, sangrando e com uma feição entristecida, até em choque? Sabe de qual imagem estou falando né? Aquela que chocou o mundo pouco tempo atrás. Você realmente acha que aquele garotinho foi o único naquele estado? Você realmente achou que, por serem crianças, seriam poupados da violência? Se como eu mesma disse, Hitler mandou crianças para a guerra. CRIANÇAS! Você, pai e mãe de família, gostaria de ver seu filho assim? A resposta, com certeza é não. 
Michael Jackson e cia não bobearam ao escrever uma letra assim. Eles sabiam que os males do mundo não seriam restringidos a uma causa ou a uma localidade. E é por isso que ele diz que dependendo da escolha que tomarmos agora, poderemos estar salvando nossas próprias vidas, talvez até nossas próprias almas. E sim, acredito em um dia em que faremos esse mundo melhor. E é entrando nesse parâmetro que outra música surge. Quem não conhece Imagine do saudoso John Lennon, ex-beatles. Um hino cantado e recantado nas vozes de mais de centenas de artistas. 

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too

Imagine que não houvesse nenhum país
Não é difícil imaginar
Nenhum motivo para matar ou morrer
E nem religião, também

Convenhamos, grande parte das guerras são causadas por duas coisas: terra e religião. John Lennon como o pacifista que era deixou bem claro que se imaginássemos um caminho para um mundo sem guerras, deveríamos imaginar um mundo sem nenhum país, sem aquela necessidade abrupta de dominar e conquistar (motivos para matar ou morrer). Se formos considerar, faz sentido, certo?

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A Brotherhood of man

Imagine que não ha posses
Eu me pergunto se você pode
Sem a necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade dos homens

Como disse, o que causa guerras é a necessidade de um sentimento de posse. Aí você me pergunta... Pô, mas quem não quer ter sua própria terrinha para plantar e morar? E eu respondo que simplesmente sentimento de posse é diferente de sentimento de pertencimento. Lembre-se que a terra estava ali antes mesmo de você. Você não pode tomar posse de algo que não era de ninguém. Não é a toa que quando você diz que "se apossou de algo", logo lhe perguntam de quem era o tal algo. Digam-me se isso não é verídico. Por isso Lennon questiona o ouvinte em seguida, perguntando se realmente pode imaginar um mundo sem posses. Está tão atrelado na humanidade essa palavra que muitos acham impossível ver um mundo sem que haja o verbo possuir. Então ele conclui o dito como seria esse mundo. Um mundo sem necessidade de ganância ou até mesmo fome. Não haveria necessidade de "possuir" comida. Haveria a necessidade de apenas "consumir". Viveríamos em irmandade. 

You may say, I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one

Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você junte-se a nós
E o mundo viverá como um só

Por fim, tenho que completar com o refrão. Tenho certeza que Lennon o fez para todos que ouvissem a música. Tenho certeza que ele sabia que seria chamado de louco, de sonhador. Mas ele deixa bem óbvio que ele não era o único. Todos, uma vez ou outra, já devem ter parado para pensar como seria um mundo perfeito, sem guerras, sem mortes, sem fome, sem doenças, sem miséria. Acredito que foi isso que Lennon queria dizer com essa frase. E como Jackson e cia, ele também convida as pessoas para se juntarem a isso. Como Jackson e cia, ele sabia que nada seria resolvido se nem todos participassem, se nem todos fossem atrás do tão dito utópico mundo perfeito. E finaliza dizendo que, se todos juntarem-se as causas, o mundo viverá como um só. Como Jackson ele frisa que para que as coisas se tornem reais, para que esse mundo possa ser real, é preciso da ajuda de todos. 
Eu cito essas duas músicas, mas se você for rebuscar em cada cultura, em cada país, em cada canto do mundo, você verá várias outras com este tipo de enfoque. No Brasil, gosto de frisar as canções do Legião Urbana, em especial "Será". Se ainda não tiver conhecido, sinta-se a vontade para ouvir. E veja como todas tem aquele "que" de realidade. 

E você? Como pode ajudar? 




#PrayForSyria #WeAreTheWorld #LivingLifeInPeace

* This text is available for translation. Give credit to the blog.



fonte dos dados: https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2014/11/23/interna_nacional,592661/pelo-menos-6-milhoes-de-judeus-foram-exterminados-pelo-nazismo.shtml
https://www.suapesquisa.com/segundaguerra/curiosidades.htm

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